Depois de quatro mil quilômetros pelo estado de Santa Catarina estou estacionado na cidade. Agora, preciso correr com os trampos em sala de aula para no dia 31 de junho mais uma vez cair na estrada. Agora nada de teatro, é uma viagem com Esperanza por terras fluminenses.
Eu devo voltar aqui e publicar escritos sobre os dias na estrada com o teatro.
A primeira parte da viagem com a peça Histórias de “Malasartes” saí de Joinville para Lages passando pelo oeste catarinense indo para Caçador, Rio do Sul, Canoinhas, Joinville e Jaraguá do Sul.
O tempo não foi suficiente para conhecer mais as cidades, somente os trajetos de hotéis para teatros, auditórios e escolas, o máximo foram breves caminhadas pelas quebradas dos lugares citados. Infelizmente, livrarias e sebos também não estiveram presentes nos meus roteiros.
Hoje estou na segunda parte da viagem e to p da vida com a televisão ligada e o Vascão perdendo por um a zero do Curintinha da Amanda. Estou deitado na cama com o pc no colo e alguns livros ao meu lado.
Os livros são frutos do consumo em Sebos de Blumenau e de Itajaí, onde felizmente sobrou um tempinho para o tão gostoso consumo.
Em Blumenau fui num sebo na frente da nossa hospedagem, o Hotel Glória, lá encontrei dois livros.
O primeiro foi Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, de Cora Coralina, segundo a própria autora “Este livro: Versos...Não. Poesia...Não. um modo diferente de contar velhas estórias.” , ainda não li, somente folhei e gostei da doçura das palavras, ainda mais por tratar de um tema que tenho fixação, a cidade.
[ gol de empate do Vascão ]
“Rádio Guerrilha”, de Mattew Collin, é o nome da segunda compra em terras blumenauenses. O livro foi lançado por aqui em 2006, desde então desejo ler e somente hoje tenho jogado na cama do Hotel, ainda mais pelo valor de R$ 15,00. A Sérvia em guerra com todo sofrimento causado pelo poder nefasto do Milosevic, levou jovens a organizarem a rádio B92, onde rock, cultura jovem passaram realizar um canal radiofônico de expressão da resistência. A leitura promete.
Já em Itajaí, as compras com o tema cidade vieram mais uma vez à tona. Por apenas R$ 2,00 comprei Ô Copacabana! do escritor carioca João Antônio. Tenho pouco conhecimento do autor, é um escritor urbano, onde a cidade do Rio de Janeiro é o cenário e todo cotidiano daqueles marginais que a sociologia tenta explicar se tão por conta das desigualdades ou por opção ou por uma terceira questão e assim vai. João Antônio deve usar a abusar da literatura para interpretar os diferentes rostos do cotidiano da cidade.
Cidade como tema e um clima “noir” conectados, ao menos nas leituras, são elementos que gostaria de sustentar na minha escrita, o que tá longe de realizar, já que não tenho uma mente criativa para a invenção da literatura.
O que me resta é levar o peso na mochila, presentear Esperanza com o livro da Cora Coralina e deixar os livros guardados na minha estante e quando me sentir a vontade tirar um e ler.
A quinta-feira foi um dia de seis horas de Estrada, algumas de Rio do Sul para Canoinhas e mais outras até Joinville. Hoje serão duas apresentações em Joinville e amanhã mais duas em Jaraguá do Sul. Aí, já sabe, serão dois dias pela região de Joinvas. Tempo para encontrar Esperanza, participar da manifestação para barrar o aumento e descansar.
Já estava esquecendo. Agora mesmo, o Alex e o Vini estão ao vivo no Bom dia Santa Catarina na RBS.
Por aqui, a minha escrita será sobre um tema que já tratei nos meus outros “espaços virtuais”, vou buscar escrever meus relatos, pensamentos, reflexões e fotos dos dias nas estradas.
Eu não sou um cara estradeiro, daquele que larga a cidade e fica tranquilamente em qualquer lugar, sem um pingo de dor ao sentir o mínimo do corte da raiz citadina. Aí, nada melhor do que nomear o blogue com “Meu coração ficou na cidade”, sendo o remelexo do coração foi (e é) demasiado em qualquer trajeto que fiz por terras brasileiras e gringas.
A regularidade não será diária, no máximo semanal, especialmente quando estiver com as memórias dos dias nas estradas, como naquela viagem maluca com carro alugado de Pelotas ao Uruguai, sem grana e com um pacote de bolacha recheada para dividir em quatro pessoas ou daquela neve danada enfrentada em Buenos Aires.
Volte aqui, na mesma medida que voltarei com os pés nas stradas.