“Dia difícil! As apresentações de hoje nos fazem refletir sobre a inserção da arte na realidade escolar e na mediação que deve ser feita para a formação dos alunos como público. E mais além, na formação dos professores enquanto público e multiplicadores da forma como se portar num espetáculo teatral. Sem querer ser duro e nem generalista mas, arrisco dizer que as situações vividas hoje extrapolam a falta de contato com a arte, mais especificamente, o teatro, para se resumir em descaso e desrespeito com o fazer teatral e o artista. É muito compreensível que os alunos dirijam-se agitados ao teatro por condicionantes peculiares à idade, fazendo brincadeiras, falando alto, ou mesmo interrompendo o evento com gracinhas e outros gestos, mas isso não é nada sem solução. Bem pelo contrário, o diálogo e o contato com o teatro vão proporcionando aos poucos o comportamento tido como ideal. No entanto, quando os alunos não tem nos professores um referencial do mínimo respeito que se espera com relação a artistas que se esforçam para oferecer o melhor para o seu público, a experiência a que o teatro se propõe a ser acaba se dissolvendo em algo insignificante e desinteressante para os próprios alunos. Por vezes defendo a visão romântica do trabalho do ator como uma entrega ao público daquilo que lhe é mais precioso, do ator a serviço do publico, mas apenas no sentido de que devemos estar cada vez mais desprovidos das vaidades do “eu” para fazer o teatro para o outro, para o público. Isto, no entanto, não autoriza ninguém e destratar os artistas como se estes estivessem sujeitos à mais fria versão da relação patrão-empregado. Digo isso porque hoje havia professores e coordenadores entrando e saindo no meio do espetáculo, colocando móveis na sala da apresentação simultaneamente à peça, mostrando a sala para visitantes da escola, permitindo a entrada de alunos no meio da peça, destratando alunos que só queriam assistir à peça com conforto e como se isso não fizesse a menor diferença para quem estava suando no palco e nos bastidores. Depois do desabado não posso deixar de registrar aqui que nem tudo foi perdido. Fora os contratempos, havia muita gente dentro da peça, até mesmo professores. Então, o teatro aconteceu hoje em duas sessões, ficou estabelecido um belo diálogo entre nós e o público, ambos entregues mutuamente. É preferível então carregar conosco a imagem dos olhos atentos e sorrisos abertos da criançada e da professorada que tava a fim de ouvir as histórias do bom malandro. Parte da minha família estava presente lá, o que me deixa feliz em compartilhar com ela algo tão importante pra mim, o universo teatral. É isso, como diz o Maikon, num de seus surtos filosóficos, “bola pro mato que o jogo não é de campeonato”. Vamos
Vini, ator e membro da CIA Rustico Teatral
Eu - Maikon K - tirei a foto.
Clicando aqui tem uma coisinha que escrevi inspirado no dia de hoje.